Entre um café e outro a
gente se perdeu e se encontrou, sorrimos, choramos, fomos inconsequentes.
Naquelas tardes, éramos felizes, falávamos de sonhos, de nossos projetos, de
amores passados e desafetos. Entre um café e outro matávamos e morríamos talvez.
Ele desejava-me descaradamente, ele joga um jogo que não me agrada,que me fere,
me isola. Nunca gostei de ser um jogo de capricho, muito menos ser vista feito
um objeto, um objetivo. Ser usada leva-me ao cúmulo da estupidez. Com o tempo a
rigidez se desprendia. Não era o modo correto de realizar desejos, mais na
verdade o que é certo hoje em dia. Os dias transcorreram, ele não era mais o
encontro despretensioso daquelas tardes vazias. Conhecia a fraqueza humana e se
compadecia dela. Estudou o terreno e a alma, sabia o tempo exato que ia
permanecer. Compactou dos gestos, sorriu mesmo sem vontade, encontrou a fenda e
adentrou. Permaneceu, camuflou a esperança, já não era uma companhia era uma
necessidade. Uma busca que se reconhece e se quer.
Por Rosi Alves

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